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  • Neste artigo, Rossano Cabral Lima discorre sobre a mudança no panorama da abordagem psiquiátrica para o tratamento do sofrimento mental humano. A partir da criação de um novo transtorno psiquiátrico para diagnosticar crianças, o TDDH (transtorno disruptivo de humor), publicado no DSM 5, o autor faz uma análise crítica sobre a criação de novos diagnósticos psiquiátricos. Ele nos apresenta caminhos por meios  de construções históricas  baseadas em paradigmas culturais vigentes em determinadas épocas, que influenciaram a criação de diagnósticos psiquiátricos. O marco de transição foi a mudança de uma abordagem psicodinâmica do sofrimento mental para um postulado descritivo e organicista, baseado em pressupostos da medicina organicista. Essa transição ocorreu a partir de 5 elementos cruciais da virada entre os anos 1970 e 1980 que o autor nos elenca: predomínio da psicopatologia descritiva sobre a psicodinâmica, crescente hegemonia das correntes organicistas reducionistas, prevalência da psiquiatria baseada em evidências (PBE), ampliação do número de diagnósticos e sua aproximação da faixa de normalidade e ampliação do número de quadros ou situações passíveis de intervenções medicamentosas. Lima postula que essas mudanças podem ser explicadas a partir de duas matrizes interpretativas: a da medicalização e da bioidentidade. Publicado em janeiro de 2021.
  • O eixo condutor dessa pesquisa foram questionamentos referentes ao espaço físico oferecido nas escolas mediante a uma concepção de infância que concebe a criança um sujeito único, com particularidades e capaz de manifestar-se nas mais diversas linguagens. Buscando refletir sobre a lógica que permeia esses espaços, foram analisadas questões histórico-sociais que evidenciam as práticas encontradas mostrando-as distantes dos atuais anseios infantis. Fala sobre o significado social da escola apontando que por intermédio da organização espacial da instituição e da sua rotina são identificadas as concepções filosóficas, políticas e psicológicas que movem o ambiente, deixando-nos claro a importância do espaço físico na construção da subjetividade da criança. Publicada em dezembro de 2020.
  • Este artigo tem como objetivo apresentar o Projeto de Atualização Psicopedagógica da equipe docente e auxiliares que trabalham em creches comunitárias construído a partir da articulação da teoria psicopedagógica com base na fundamentação teórica de Maria Cecília Almeida e Silva (1998) com os cinco eixos do APEGI - Acompanhamento psicanalítico de crianças em escolas, grupos e instituições, idealizado e conduzido pela psicanalista Maria Cristina Kupfer, eixos que sustentam a construção da subjetividade da criança. Publicado em novembro de 2020
  • Nos debates contemporâneos sobre o autismo, a “Teoria da Mente” entende que as principais características autistas resultam da falha nas capacidades de metarrepresentação, tornando impossível a compreensão dos estados mentais alheios. Este artigo tem como objetivo realizar o estudo crítico do paradigma cognitivo, e contrapor a este as contribuições da fenomenologia. Pesquisadores nesse campo sustentam que pensamentos, emoções e intenções já são expressos e compreendidos nas condutas explícitas, permitindo a sintonia mútua que funda a sociabilidade humana. Desta forma, no caso do autismo, antes da instalação de prejuízos na metarrepresentação, haveria distúrbios precoces na dimensão sensório-motora, interferindo nos processos de intersubjetividade primária e secundária. Concluímos que a perspectiva fenomenológica permite a crítica das noções de módulos mentais e dos modelos computacionais, destacando a experiência mental corporificada, pré-reflexiva e intersubjetiva, contribuindo assim para uma nova compreensão dos modos autistas de sofrer e experimentar o mundo. Publicado em novembro de 2020.
  • Fonte: O texto, extraído da palestra de abertura do ciclo de debates do Tekoa “Aprendendo com seus pares” realizado em 01 de outubro de 2008, aborda uma reflexão, que não se encontra frequentemente na bibliografia disponível, sobre o que é o tratamento psicopedagógico, trazendo a luz detalhes teórico-práticos da especificidade dessa intervenção psicopedagógica. Através de uma série de questionamentos, o texto desdobra-se num viés investigativo que provoca curiosidade e uma visão reflexiva que pode ajudar o leitor a desvendar mistérios ao mesmo tempo que pode conduzi-lo a novos. Depois de situar o surgimento e a evolução da psicopedagogia em seu objetivo e campos de atuação, a autora trata do seu estudo sobre um campo teórico próprio para a psicopedagogia, a “Noologia estruturalista”, e procura fazer dialogar com a teoria e prática clínica. Leão tece ainda uma relação entre teoria e prática; ciências e arte no campo da psicopedagogia, esmiuçando a arte da intervenção. Defendendo uma postura interacionista, dialética, construtivista e estruturalista, o discurso se apoia em pressupostos teóricos psicanalíticos (lacanianos, winnicottianos e freudianos), piagetianos e pós-piagetianos, e considera a leitura da dimensão desiderativo-dramática e a dimensão lógico-conceitual, em suas articulações. Dentre os elementos de intervenção abordados, quanto a postura do psicopedagogo, destacam-se: a não atuação sobre o sintoma ou epifenômeno, a realização do trabalho apoiado na tarefa e a forma como a tarefa se instala a partir do outro, o cliente. A autora evidencia a frequente análise clínica que deve ser realizada pelo psicopedagogo em relação as variáveis do enquadramento, temática, tarefas escolhidas e produtos realizados, no sentido de proporcionar ao cliente ganho de autonomia e resgate do prazer de aprender. Parece bastante pertinente a produção de narrativas que abordem mais profundamente as questões sobre o tratamento psicopedagógico. Apesar de ser um tema muito solicitado por alunos e profissionais, ainda hoje não existe uma quantidade relevante de estudos científicos publicados. Além disso, a maioria dos trabalhos situam-se no âmbito do diagnóstico. O tratamento psicopedagógico, então, se mantem numa esfera superficial, quanto a apresentação de seus fenômeno, intervenções e processos. Maria Luiza usa o termo da “caixa preta” como uma analogia. A autora sente que há uma espécie de véu sobre o assunto, que o coloca em uma posição de inacessibilidade para se conhecer, desvendar. Publicado em fevereiro de 2018
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