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O texto levanta a questão sobre a incondicionalidade do amor materno. Seria um mito? Inicialmente aborda a evolução sócio-histórica e cultural da imagem mãe-filho (a) no decorrer dos séculos e o reconhecimento da mulher e da criança em suas subjetividades, retratando os contextos vigentes nas diferentes épocas. Em seguida, são enfocados os mitos, desde a antiguidade clássica, pelo olhar de diversos autores. Finalmente, o estudo traz à cena as relações mãe-filho (a) e o amor materno, sob a ótica da teoria psicanalítica. Publicado em março de 2021.
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Neste artigo, Rossano Cabral Lima discorre sobre a mudança no panorama da abordagem psiquiátrica para o tratamento do sofrimento mental humano. A partir da criação de um novo transtorno psiquiátrico para diagnosticar crianças, o TDDH (transtorno disruptivo de humor), publicado no DSM 5, o autor faz uma análise crítica sobre a criação de novos diagnósticos psiquiátricos. Ele nos apresenta caminhos por meios de construções históricas baseadas em paradigmas culturais vigentes em determinadas épocas, que influenciaram a criação de diagnósticos psiquiátricos. O marco de transição foi a mudança de uma abordagem psicodinâmica do sofrimento mental para um postulado descritivo e organicista, baseado em pressupostos da medicina organicista. Essa transição ocorreu a partir de 5 elementos cruciais da virada entre os anos 1970 e 1980 que o autor nos elenca: predomínio da psicopatologia descritiva sobre a psicodinâmica, crescente hegemonia das correntes organicistas reducionistas, prevalência da psiquiatria baseada em evidências (PBE), ampliação do número de diagnósticos e sua aproximação da faixa de normalidade e ampliação do número de quadros ou situações passíveis de intervenções medicamentosas. Lima postula que essas mudanças podem ser explicadas a partir de duas matrizes interpretativas: a da medicalização e da bioidentidade. Publicado em janeiro de 2021.
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O eixo condutor dessa pesquisa foram questionamentos referentes ao espaço físico oferecido nas escolas mediante a uma concepção de infância que concebe a criança um sujeito único, com particularidades e capaz de manifestar-se nas mais diversas linguagens. Buscando refletir sobre a lógica que permeia esses espaços, foram analisadas questões histórico-sociais que evidenciam as práticas encontradas mostrando-as distantes dos atuais anseios infantis. Fala sobre o significado social da escola apontando que por intermédio da organização espacial da instituição e da sua rotina são identificadas as concepções filosóficas, políticas e psicológicas que movem o ambiente, deixando-nos claro a importância do espaço físico na construção da subjetividade da criança. Publicada em dezembro de 2020.
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Este artigo tem como objetivo apresentar o Projeto de Atualização Psicopedagógica da equipe docente e auxiliares que trabalham em creches comunitárias construído a partir da articulação da teoria psicopedagógica com base na fundamentação teórica de Maria Cecília Almeida e Silva (1998) com os cinco eixos do APEGI - Acompanhamento psicanalítico de crianças em escolas, grupos e instituições, idealizado e conduzido pela psicanalista Maria Cristina Kupfer, eixos que sustentam a construção da subjetividade da criança. Publicado em novembro de 2020
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Publicado em novembro de 2020.
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Nos debates contemporâneos sobre o autismo, a “Teoria da Mente” entende que as principais características autistas resultam da falha nas capacidades de metarrepresentação, tornando impossível a compreensão dos estados mentais alheios. Este artigo tem como objetivo realizar o estudo crítico do paradigma cognitivo, e contrapor a este as contribuições da fenomenologia. Pesquisadores nesse campo sustentam que pensamentos, emoções e intenções já são expressos e compreendidos nas condutas explícitas, permitindo a sintonia mútua que funda a sociabilidade humana. Desta forma, no caso do autismo, antes da instalação de prejuízos na metarrepresentação, haveria distúrbios precoces na dimensão sensório-motora, interferindo nos processos de intersubjetividade primária e secundária. Concluímos que a perspectiva fenomenológica permite a crítica das noções de módulos mentais e dos modelos computacionais, destacando a experiência mental corporificada, pré-reflexiva e intersubjetiva, contribuindo assim para uma nova compreensão dos modos autistas de sofrer e experimentar o mundo. Publicado em novembro de 2020.







