A representação do espaço através do desenho – Heloisa Padilha

O artigo tem como objetivo discutir a importância do desenho como uma das maneiras de se externalizar construções internas, de toda natureza, em pé de igualdade valorativa com outras linguagens (oral, escrita e corporal). Numa posição interacionista-construtivistaestruturalista, a autora nos traz uma conceituação do desenho tomando-o como qualquer outro objeto de conhecimento.

Com base na afirmação de Piaget (1948) de que a imagem (representação, pensamento) não provém diretamente da percepção, o artigo aborda as relações e diferenciações entre percepção, atividade perceptiva e pensamento, apresentando seus conceitos e processos (centrações sucessivas, descentrações, imitação interiorizada etc). A autora conclui que não se desenha o que se percebe e, sim, a imagem que se tem do objeto percebido, isto é, a pessoa desenha o objeto elaborado a partir de uma construção mental proveniente experiências perceptivas com o objeto.

 

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A conceituação de desenho aqui apresentada assume a posição interacionista-construtivista- estruturalista, por oposição aos determinismos homem - meio (inatismo) e meio - homem (empirismo). Nessa ótica, o desenho é um objeto de conhecimento como outro qualquer e, portanto, subordinado à mesma dinâmica de interação entre sujeito (S) e objeto (O) que rege todo o processo gnoseológico e que se traduz na constante e mútua modificação de ambos (S <--> O). Tal interação ocorre de modo construtivista, o que significa duas coisas: primeiramente, que cada etapa de desenvolvimento se apoia sobre todas as anteriores e, em segundo lugar, que o processo não tem um estado acabado, isto é, S e O estarão sempre sujeitos a estágios melhores de construção (equilibração majorante). Além disso, o desenho apoia-se numa estrutura - a do espaço. Isso quer dizer que também ele se faz reger por leis próprias a toda e qualquer estrutura: constitui uma totalidade, transforma-se e possui mecanismos de auto-regulação.

Se o desenho é um modo de representar (externamente) a construção (interna) das estruturas espaciais e se isso é fruto de uma interação com o real, cabe neste momento situar mais detidamente estas duas espécies de relação.

Uma primeira questão emerge tão logo se comece a refletir sobre as relações entre o desenho e o objeto real que se pretendeu representar através do desenho: por que as crianças menores desenham de um modo tão mais 'imperfeito' do que as maiores? Por que colocam a boca acima do nariz ou fora do rosto, deixam transparecer os passageiros dentro de um trem, representam na mesma cena uma mesa vista de cima e cadeiras vistas de lado? Ou, em uma palavra, será que a criança percebe diferentemente do que sujeitos maiores? Nas considerações entre percepção e pensamento repousa uma aproximação à resposta das questões acima... Para ler o artigo na íntegra, associe-se. Caso seja assinante, faça login.

Heloisa Padilha

Heloisa Padilha

Heloisa Padilha é graduada em Pedagogia pela PUC-Rio (1975) e Mestre em Educação (1984) pela mesma instituição. Sua dissertação foi a primeira na área de Psicopedagogia no Rio de Janeiro,
com o título “Efeitos de Atividades no Domínio Espacial sobre a Superação do Egocentrismo Infantil: uma Experiência Psicopedagógica Preventiva” e teve o aval de Jorge Visca, com quem realizou sua formação em Psicopedagogia entre 1978 e 1982.

Participou do nascimento da Psicopedagogia no Brasil traduzindo os primeiros artigos de Visca, apresentando trabalhos na 1ª Jornada Internacional de Psicopedagogia (PUC-Rio, 1985), no 1º Congresso Nacional de Psicopedagogia (SP, 1988) e integrando a Associação de Psicopedagogia, Seção RJ desde o seu início.

Atuou em Psicopedagogia Clínica durante 10 anos, migrou para a Inglaterra na década de 90, onde trabalhou no setor de dificuldades de aprendizagem de uma escola pública em Londres e, ao retornar para o Rio de Janeiro, concentrou seu trabalho na área de Psicopedagogia Institucional. Nesse nicho, preocupou-se em ajudar escolas e empresas a desenvolver processos de ensino e de aprendizagem que considerassem o sujeito aprendente em todas as suas dimensões, desenvolveu inúmeros materiais didáticos em diversas áreas do conhecimento nessa mesma linha, e produziu livros para a formação de professores.

Desde 1999, Heloisa é diretora da Linha Mestra, a empresa de consultoria e de desenvolvimento de seus projetos nas áreas de Educação e Psicopedagogia, e, atualmente, é professora do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia do Instituto de Educação Pró-Saber (RJ).